O amor pela tecnologia surgiu da obsessão em entender como as coisas funcionam por dentro dos sistemas.
Foi um encantamento pelas ferramentas e pelas soluções aplicáveis às empresas.
Ao longo da sua trajetória, Jone Ferreira realizou diversas certificações da Microsoft, entre elas MCP, MCDS e MCSA. Com o tempo e a maturidade profissional, compreendeu que também era necessário aprofundar os conhecimentos em gestão e evoluir nas certificações ITIL e CBPP.
Foi assim que começou um novo encantamento: utilizar a tecnologia para melhorar os processos de negócios.
TECNOLOGIA SEM PROCESSO É CUSTO ACELERADO
Uma empresa trava quando o trabalho deixa de funcionar como deveria.
É nesse momento que a tecnologia pode entrar como sequência e solução. Depois de anos mapeando processos de empresas reais, Jone percebeu algo fundamental.
A tecnologia sem processo é só custo acelerado: automatiza a bagunça e entrega a bagunça mais rápido. Para ele, a tecnologia só faz sentido quando resolve um problema real de negócio , e não simplesmente porque determinada ferramenta é uma novidade.
O meu vínculo com a tecnologia é esse, ela me interessa quando resolve um problema real de negócio, e não pela novidade.
INTELIGÊNCIA EMOCIONAL PARA EMPREENDEDORES ATRAVÉS DA IA
Ao falar sobre Inteligência Artificial e inteligência emocional, Jone faz uma distinção importante. A IA não sente emoções. Ela reconhece padrões de linguagem que podem sugerir determinados estados emocionais e pode responder de acordo com esses padrões.
Essa diferença é fundamental para o empreendedor, evitando a expectativa de que uma máquina realmente compreenda o cliente.
A IA padroniza, mas não compreende.
O valor está em utilizar a tecnologia para captar, em escala, sinais emocionais que o proprietário de um negócio sozinho dificilmente conseguiria identificar.
Pode ser o tom recorrente de uma reclamação, o momento da jornada em que o cliente desiste de uma compra ou a linguagem que demonstra frustração durante um atendimento. A IA não substitui a empatia do empreendedor. Ela devolve tempo para que ele exerça essa empatia onde importa.
A inteligência emocional continua sendo humana. A IA apenas aponta onde essa atenção pode ser aplicada.
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COMO FUNCIONA UMA PLATAFORMA DE GESTÃO DE INFORMAÇÕES PARA PEQUENAS EMPRESAS
Um erro comum é pensar que uma pequena empresa precisa de mais sistemas.
Para Jone, muitas vezes ela precisa justamente do contrário.Uma pequena empresa precisa de menos dispersão de informação.
O pequeno empreendedor costuma ter dados espalhados pelo WhatsApp, cadernos, planilhas e até na própria memória.
Uma plataforma eficiente não é necessariamente aquela que possui mais recursos. É aquela que consegue centralizar a informação certa no momento da decisão. O processo funciona em três camadas
Capturar, aquilo que entra , pedidos, clientes, custos e outras informações.
Organizar, transformar registros soltos em informações comparáveis.
Decidir, transformar dados em ações ,o que produzir, o que cobrar e o que cortar.
Muitas plataformas conseguem realizar a captura e apresentar gráficos, mas falham justamente na etapa mais importante: a decisão.
O diferencial está em fechar o ciclo até à decisão, e não parar no relatório.
IA E A ERA DA TRANSFORMAÇÃO
Na visão de Jone, o que mudou não foi o empreendedor. Foi a barreira de entrada. Ferramentas que antes exigiam equipes especializadas e grandes orçamentos hoje estão, muitas vezes, a apenas um login de distância.
Isso democratizou o acesso à tecnologia, mas também elevou a exigência do mercado. Quem não utiliza essas ferramentas pode ficar para trás mais rapidamente do que antes.
Entretanto, existe um novo risco: confundir acesso à ferramenta com maturidade de gestão.
Tenho visto muito empreendedor com IA de ponta e processo inexistente: potência sem direção.
O mundo do empreendedorismo tornou-se mais acessível e, ao mesmo tempo, mais implacável.
A TECNOLOGIA ESTÁ A FORMAR MÁQUINAS OU PESSOAS CONSCIENTES
Para Jone, a resposta passa por uma distinção importante.
A tecnologia não está a formar máquinas conscientes. Não existe consciência na IA,existe capacidade estatística sofisticada.
Também não está a formar pessoas conscientes automaticamente. Está a formar pessoas expostas a uma nova realidade tecnológica.
Consciência exige esforço. A exposição vem de graça, a compreensão não.
O empresário que não compreende o que a ferramenta faz por dentro não se torna automaticamente consciente da nova era apenas por utilizá-la.
Pode, pelo contrário, tornar-se dependente dela.
A tecnologia oferece a nova era. Quem decide se vai atravessá-la com consciência ou no piloto automático é a pessoa.
INOVAÇÃO IMEDIATA OU INOVAÇÃO SUSTENTÁVEL
Como professor universitário e profissional ligado à inovação, Jone não acredita em inovação imediata.
Desconfio de quem promete inovação imediata. Muitas vezes, é adoção apressada disfarçada de inovação.
Na sala de aula, defende que inovar não significa simplesmente adotar aquilo que é mais recente. Inovar é resolver um problema real de uma forma nova.
Na consultoria, observa frequentemente o custo do imediatismo,empresas que automatizam antes de compreender os próprios processos e, posteriormente, precisam desfazer aquilo que fizeram.
A inovação sustentável exige tempo para entender, testar, ajustar e escalar.
O imediatismo pula as três primeiras etapas e paga caro na quarta.
CHATGPT: ERA OU REVOLUÇÃO PARA O MUNDO DOS EMPREENDEDORES
Para Jone, talvez seja mais adequado não classificar o ChatGPT simplesmente como uma era ou uma revolução.
Revolução sugere ruptura instantânea; era sugere um período longo e estável. E não é nenhum dos dois.
O que aconteceu foi um momento em que a Inteligência Artificial generativa deixou de ser um assunto restrito aos especialistas e passou a ser uma ferramenta acessível a praticamente qualquer pessoa.
O verdadeiro impacto para o empreendedor, segundo Jone, não foi apenas a tecnologia em si, mas o acesso.
A IA democratizou uma capacidade que anteriormente estava disponível para poucos. Mas existe um alerta:
Ferramenta acessível não é vantagem competitiva. Vira vantagem quando aplicada sobre um processo que faz sentido.
Sem estratégia, todos acabam utilizando as mesmas ferramentas.
CLAUDE OU GEMINI QUAL TECNOLOGIA É MELHOR PARA AS GRANDES EMPRESAS
Jone prefere não recomendar uma marca específica.
Segundo ele, o cenário tecnológico muda rapidamente e uma recomendação pode envelhecer em pouco tempo.
Para as grandes empresas, mais importante do que perguntar qual é a melhor IA é definir os critérios de escolha. Entre eles estão integração com os sistemas já existentes; tratamento de dados sensíveis;
conformidade com a LGPD;
custos em escala;
segurança;
governança;
dependência de fornecedores.
A pergunta certa, portanto, não seria
Qual é a melhor Inteligência Artificial?
Mas sim
Qual solução se encaixa melhor no processo, nos dados e na governança da empresa?
Porque as plataformas podem ser substituídas.
Mas um processo mal desenhado continua sendo um problema, independentemente da tecnologia utilizada.
Azenaida Miguel, locutora colunista da rádio Doinha prata FM