O Brasil se despede de um dos maiores nomes da história da televisão. Morreu aos 92 anos o autor Manoel Carlos, responsável por algumas das novelas mais emblemáticas da TV brasileira e por retratar, como poucos, os dramas humanos da burguesia carioca. O escritor fazia tratamento contra a Doença de Parkinson e estava afastado da vida pública desde 2014.
Conhecido carinhosamente como Maneco, Manoel Carlos construiu uma obra marcada pela sensibilidade, pelo olhar atento às relações familiares e pela capacidade de transformar o cotidiano em narrativa envolvente. Clássicos como Por Amor, Laços de Família e Mulheres Apaixonadas atravessaram gerações, conquistaram altos índices de audiência e deixaram marcas profundas na memória afetiva do público.
Sua trajetória na TV Globo teve início em 1972, quando assumiu a direção-geral do Fantástico. Antes disso, passou por diversas emissoras brasileiras, atuando como autor, produtor e ator. A carreira artística começou ainda na juventude, aos 17 anos, nos palcos do teatro. Além da televisão, Manoel Carlos também se destacou como escritor e diretor, demonstrando versatilidade ao longo de décadas de produção cultural.
O Rio de Janeiro foi cenário recorrente — e quase um personagem — em suas novelas, assim como os conflitos familiares, os dilemas morais e as emoções intensas. Outro elemento inconfundível de sua obra foram as célebres “Helenas”. De Baila Comigo (1981) a Em Família (2014), as protagonistas femininas com esse nome simbolizavam mães fortes, complexas e movidas por um amor incondicional pelos filhos.
Aposentado desde 2014, Manoel Carlos vivia de forma reservada ao lado da família. Ele deixa duas filhas: a atriz Júlia Almeida e a roteirista Maria Carolina. Sua morte encerra um capítulo fundamental da teledramaturgia nacional, mas seu legado segue vivo nas histórias que emocionaram milhões de brasileiros e ajudaram a moldar a identidade das novelas no país.